24 de maio de 2012

LANTERNA VERDE: Sem Medo

Uma leitura por demais ansiada, onde o acerto revelou-se uma constante.

Depois de conferir o trabalho de Geoff Johns em Lanterna Verde: Origem Secreta e testemunhar a fusão de escritor e personagem num único ser, me tornei um espectador ansioso pelo próximo volume da fantástica simbiose artistica. Sim, você entendeu bem, es-pec-ta-dor. Pois o espetáculo é conduzido com tamanha destreza que o texto torna-se um complemento real da imagem, dando vida ao espetáculo, fazendo os "Fabooms" e "Papapás" saltarem páginas afora, alcançando a audição, me fazendo jurar que o encadernado era também composto por sonoplastia. Foi demais! A leitura inspira a uma experiência muito real. Muito viva. E isso é reflexo de uma trama envolvente, onde os personagens estão em primeiro plano, e a ação, não menos importante, mas uma consequência de atos. . . Isso é o que acontece quando um grande escritor encontra um grande personagem, e é prova material de que da união de dois grandes, surge um gigante. Porque um grande personagem necessita de um grande escritor, para, assim, ambos tornarem-se gigantes. E eles se tornaram!

"Hal Jordan ressuscitou e alcançou sua redenção. Agora chegou o momento de prosseguir com sua vida como Lanterna Verde, o protetor do setor espacial 2814. Mas enquanto ele retorna aos céus como um piloto da força aérea, Jordan tem de encarar novas ameaças de antigos inimigos, como os mortais Androides conhecidos como Caçadores Cósmicos, Tubarão e o terrível Mão Negra.
Tudo isso enquanto, em Oa, a Tropa dos Lanterna é reconstituída para proteger e servir a todos os seres em todas as galaxias conhecidas."

A trama reúne dois arcos que compõem uma história. O primeiro escrito por Geoff Johns e o segundo escrito por Johns em companhia de Dave Gibbons, que trouxe ao roteiro características que separam o estilo narrativo das duas historias, embora ocorram no mesmo período de tempo e mantendo a qualidade.

A primeira história tem todos os traços da escrita de Johns que cativaram anteriormente, agora potencializados pelo herói ja estar formado e com total domínio de suas habilidades. Citar habilidades me leva a um marcante momentos da leitura, onde o roteiro, por mais de uma vez e de maneira tão simples que faz parecer fácil, mistura passado e presente numa mesma ideia, unindo diálogos do passado em situações do presente, enriquecendo o personagem por mostrar outros momentos de sua jornada, indo um pouco mais além e fazendo a ponte entre quem era e quem agora é Hal Jordan. Tudo isso acompanhado por uma narrativa em off que garante leveza ao texto ao dissecar ideias que poderiam passar despercebidas, tornando tudo mais atraente e limpo para melhor apreciação.

Apesar do título ter como grande protagonista o competente e carismático Hal Jordan, Lanterna Verde é uma tropa, e não um patrulheiro. E essas palavras representam a descoberta pessoal de um leitor iniciante, que teve em mãos uma trama que acertou em cheio ao retratar o mesmo período de tempo em duas tramas paralelas, a segunda variando protagonistas ao longo das páginas ao invés de focar somente em um destemido Jordan, um criativo Rayner ou um ousado Gardner, unindo-os pouco antes do final do arco, e revelando que o maior dos Lanternas está na união da Tropa. E são essas variações, que nos permitem a possibilidade de conhecer melhor cada protagonista e o universo que o cerca, que garantem o interesse pela página seguinte ao interromper a ação e mudar o protagonista em foco num momento de tensão, levando a curiosidade a mil no momento propício onde estávamos à beira de um frenesi, nos devolvendo o autocontrole por mais uns painéis antes do próximo desvario. Seria esse um reflexo da influência de Gibbons, ou o resultado da união de Johns e Gibbons no mesmo texto? Aposto na segunda alternativa.

A trama, sabemos, só terá solução na última edição. Mas, entre tantos acertos, o que mais se destaca é o fato de cada volume possuir histórias independentes com início, meio e fim. Deixando sempre a sensação de leitura concluída a cada final, contribuindo, cada uma, com informações relevantes para todo o arco, sempre apresentando um desfecho que puxa a expectativa pelo volume seguinte. Tudo isso, jamais deixando de possuir ligação com a historia que compõe o arco maior. Um grande acerto!

Dois paralelos interessantes de se observar ao longo do arco são a luz e a escuridão. Na terra, a trama é mais suave, embora perigosa, e possui muita luz. Os ambientes brilham, reluzem. Mesmo nas sequencias de imagens noturnas. E isso, certamente, serve como metáfora para o tamanho do desafio. Pois, a partir do momento em que a trama se torna unicamente espacial, a escuridão predomina e o mal a se enfrentar é de proporção gigantesca (não em tamanho, mas em perigo) e capaz de erradicar, outra vez, a tropa dos Lanternas ainda em formação. Um detalhe do todo que me pareceu muito interessante e por isso a observação. Por fim, é uma obra de grande qualidade e que, certamente, merece lugar na estante pela qualidade do texto e pelo espetáculo de cores que cobrem a arte impecável.

O encadernado reúne as histórias: Green Lantern Secret Files 2005, simplificando a origem do herói, e Green Lantern 1 - 6, de Geoff Johns, representando toda a primeira história. E também Green Lantern Corps: Recharge, de Johns e Dave Gibbons, em 324 páginas de quadrinhos e extras, capa dura, papel couché. E ainda pode ser encontrado nas livrarias e comics shops.

7 de maio de 2012

Segundo Plano


Não sei se é orgulho ferido. Sei que não mereço esse castigo.
Só estou querendo um ombro amigo pra poder chorar.

Não sei qual é o jogo da vida. Se você souber, venha e me diga.
Não sei o que faço para ver você se apaixonar.

Quero pedir perdão por aquilo que eu não fiz, não sei qual atitude eu devo tomar. Meu lance com você já ficou por um triz, se te perder não vou suportar.

“Refrão”

Parece que agora eu estou em segundo plano na sua vida.
Dizem que é tempo é quem diz,
não me disse nada... só coisas do meu coração.

2 de maio de 2012

LINKIN PARK – Living Things

"O álbum nos leva de volta às nossas raízes."

Com as palavras de Mike Shinoda (Co-líder da banda), e tendo em mente que foi entre guitarras pesadas, gritos surpreendentemente afinados, Rock e Rap dividindo espaço na mesma canção e letras que fizeram a história de toda uma geração, encontradas no primeiro álbum, "Hybrid Theory" (2000), consolidando-se no definitivo "Meteora" (2002), que o Linkin Park consagrou-se como uma das maiores bandas de todos os tempos, os fãs veem um fio de luz onde só havia escuridão. Os fãs mais chatos, devo dizer.

"Neste álbum temos bastantes partes de guitarra com grandes refrães e partes de eletrónica mais pesadas para lhe dar uma grande parede de som, mas sem soar  metal. Isto será mais familiar para as pessoas do que o "A Thousand Suns", em que nos deixámos levar pela loucura", explicou Chester Bennington, citado pela revista NME.

Os dois primeiros álbuns foram indiscutíveis sucessos de venda e satisfação de quem os garantiu em sua coleção de CDs. Mas há quem duvide da qualidade da banda logo depois do terceiro álbum "Minutes to Midnaight" (2007), que se tornou certeza no experimental "A Thosand Suns" (2010), quarto álbum da banda. Muito se falou que o Linkin Park ja não era o mesmo, que não tinha a mesma pegada. Que as letras, antes raivosas, agora beiravam os contos românticos. Tudo exagero de quem viu a evolução diante de si, mas não estava preparado para tamanho acerto. Para os fãs remanescentes, lugar que habito feliz, uma ótima noticia: Em 26 de Junho chega as lojas o quinto álbum gravado em estúdio, intitulado "LIVING THINGS".

Como opinião pessoal, acho curioso as reclamações pelos ótimos "Minutes To Midnight" e "A Thousand Suns" serem possuidores de uma sonoridade que muito difere, é verdade, dos também ótimos "Hybrid Theory" e "Meteora". O que me leva a grande pergunta:

"Alguém no mundo se sente a mesma pessoa que era três anos atrás? Não sofreu evolução alguma?"

Se a resposta for sim, meu amigo, reveja seus conceitos. Pois a evolução é natural e necessária em qualquer polo e, felizmente, a banda evoluiu. E evoluiu para melhor!, afirmo.

Aos que ainda não se convenceram, me permita usar de analogia e, por favor, "pense numa partida de futebol, onde, no time invicto desde o início do campeonato, agora nas oitavas de finais, passe a reinar o ditado: "Em time que está ganhando não se mexe". A consequencia muito provável é que o time, por melhor que seja, venha a se tornar tão previsivel para o adversário que este poderá estudar cada passo dos jogadores e assim acabar com sua invencibilidade, não o permitindo avançar as quartas de finais." É muito mais fácil ficar parado no tempo, se garantir numa zona de conforto. Dificil é arriscar um passo que envolve riscos. Toda e qualquer mudança encontradas nos arranjos, vocais e letras foram para melhor. Com isso em mente, se quer seguir um artista que navegue apenas por águas seguras, ja ficou mais do que claro que o Linkin Park é para quem sabe aprecia-lo, não para quem deseja novas versões de uma mesma canção.

Deixando de lado as divagações, em nota, a produção informa aos que o garantirem agora na pré-venda do LinkinPark.com, terão mais do que só um álbum e um download instantâneo do single; mas estarão se inscrevendo para receber uma nova faixa remixada de LIVING THINGS todo mês, e acesso antecipado aos ingressos da próxima turnê headline na América do Norte e Europa.

Além disso, para agradecer a todos os fãs que os estão divulgando, um novo programa chamado “Share To Earn” (Compartilhe Para Ganhar) está a caminho, onde conforme você divulga, você poderá ganhar um número de prêmios exclusivos, incluindo INGRESSOS DE SHOWS DO LP PARA A VIDA TODA. Detalhes em breve no LinkinPark.com.

Por último, a banda se diz animada em anunciar que serão co-headliners na Honda Civic Tour na América do Norte neste verão (americano) com o Incubus. Os ingressos estarão à venda para os membros do LP Underground começando na Segunda, 23 de Abril. Os membros do LPU também terão acesso antecipado aos locais dos shows e oportunidades de Meet & Greets com a banda. Qualquer um que comprar LIVING THINGS na pré-venda terá acesso aos ingressos no dia 24 de Abril.

Fim da nota.

Em meados de abril, a banda divulgou na internet o primeiro single "Burn It Down".
Ouça:  

O novo single realmente permite reconhecer a influência vocal vista no incio da banda, misturada ao singular arranjo que Shinoda, ao lado do respeitado produtor musical Rick Rubin, garantiu ao polêmico e sensacional "A Thousand Suns", e promete surpreender aos fãs remanescentes e trazer de volta os descrentes quanto a sonoridade da banda desde o ótimo Minutes To Midnight.

O iTunes divulgou a tracklist do novo álbum.

1. LOST IN THE ECHO
2. IN MY REMAINS
3. BURN IT DOWN
4. LIES GREED MISERY
5. I’LL BE GONE
6. CASTLE OF GLASS
7. VICTIMIZED
8. ROADS UNTRAVELED
9. SKIN TO BONE
10. UNTIL IT BREAKS
11. TINFOIL
12. POWERLESS

Em entrevista ao NME, Mike Shinoda, co-vocalista da banda, promete voltar as raízes da banda, mas não deixando de lado o amadurecimento natural adquirido ao longo de toda a jornada. E falou ainda sobre a inspiração para compor as letras do novo álbum:

"Será um álbum 'mais pessoal' do que os anteriores e foge de questões políticas e sociais. Ele é sobre nossas próprias vidas e por isso escolhems como título ‘Living Things’", ou 'Seres Vivos' em bom portugês.

Perguntado sobre as letras do álbum, continuou: “Nós escolhemos o título ‘Living Things’ porque é um álbum mais sobre pessoas. É mais sobre interações pessoais. No último álbum tivemos interesse em questões globais e em questões sociais, essas coisas ainda estão por aí, certamente existem vestígios delas, mas esse álbum é muito mais pessoal”.

Previsto para ser lançado em 25 de Junho no Reino Unido, o album será lançado em 26 de Junho nos Estados Unidos.

30 de abril de 2012

QUEM?



Eles nasceram pra brilhar e vão tentar fazer de tudo pra você vê-los na TV. Você vai ter que aturar!Não vai poder reclamar! Porque hoje todo mundo quer aparecer.

Mas de repente todo mundo decidiu que quer ser:
modelo, atriz, cantora, apresentador de TV.
Sem ter talento, aonde será que eles vão chegar?
A namorados de famosos ou figurantes, fazendo comercial pra um refrigerante.

– Que sensacional.
– O que?
– Apareci no fundo do comercial.

“Refrão”
Todo mundo quer ser artista. Mesmo sem talento são otimistas.
Eles dizem que nasceram pra brilhar, vão cantar, atuar e um dia vencer.
Eles só querem aparecer na TV!!!

– Eu vou largar a faculdade, vou ser ator.
– Depois da maternidade qual vai ser o cantor?
– Vou te mostrar o meu projeto pro ano que vem: a minha peça de teatro, sou a famosa QUEM?

Mas eles só dizem bobeira, pensam que eu tenho tempo. Para ouvir besteira nunca tive talento!!!

Quando você ligar o rádio ele vai cantar. Se você mudar pra TV ele vai aparecer. Entra na Internet e num chat ele está.

Não tem pra onde correr, estão em todo lugar. Você vai ter que entender, eles nasceram pra brilhar.

“Refrão”
Todo mundo quer ser artista. Mesmo sem talento são otimistas.
Eles dizem que nasceram pra brilhar, vão cantar, atuar e um dia vencer.
Eles só querem aparecer na TV!!!

Eu não vou ver quando você. . . Nara Nananara Nananara Nananara Nananananau (trecho censurado).

Aproveite, o seu tempo acabou de começar. Vá curtindo o momento, ele não vai durar.
- Ahhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!

“Refrão”
Todo mundo quer ser artista. Mesmo sem talento são otimistas.
Eles dizem que nasceram pra brilhar, vão cantar, atuar e um dia vencer.
Eles só querem aparecer na TV!!!
Eles só querem aparecer na TV!!!
Eles só querem aparecer na TV!!!
Eles só querem aparecer na TV!!!

27 de abril de 2012

OS VINGADORES - THE AVENGERS

A espera chegou ao fim! E chegou ao fim com uma grata compensação, pois o filme revelou-se uma joia cinematográfica para ser vista, revista e jamais esquecida.


A fervorosa campanha de marketing me fez chegar ao cinema com todas as expectativa possíveis. No meio da sessão, expectativas mais que superadas, tal qual Bruce Banner me vi ensandecidamente fora de controle e, reagindo de acordo as intenções das cenas, fosse rindo, torcendo ou soltando grunhidos e rugidos, acabei por incomodar todos em minhas imediações - o que só foi percebido quando fora da sala. Prova incontestável do poder de imersão que a trama garante ao expectador, pois tamanho exagero na louca postura desse fã agradecido só foi possível porque o filme nos puxa pra dentro. Porque o texto, interpretação, enquadramento e sonoplastia nos permite compartilhar junto aos personagens todos os seus sentimentos, por mais íntimos que sejam. Com esse entendimento, fica fácil se tornar parte da ação. E é ai que OS VINGADORES sai na frente de todo e qualquer filme do gênero. É, indubitavelmente, o melhor filme de super-heróis de todos os tempos.

O filme mostra o ardiloso Loki em busca do Tesseract – o cubo cósmico utilizado pelo Caveira Vermelha e que ficou no fundo do mar até ser encontrado por Howard Stark – com o qual poderá abrir um portal para outro universo e, assim, permitir que uma raça de alienígenas invada e conquiste a Terra.

A premissa é das mais simples e comprova o conceito que, quanto mais acessível é o contexto, mais fácil é compreender suas camadas, implicações, e permite singularidades a cada indivíduo. Garantindo aos personagens posicionamentos coesos em uma trama que só faz crescer diante dos olhos. Pois nada é subentendido. . . as cartas são jogadas a mesa no primeiro encontro.

Inevitável ao falar de OS VINGADORS é falar da habilidade de Joss Whedon ao fazer de todos os personagens peças importantes no tabuleiro, surgindo, cada um, como prtagonista de uma sequencia específica ao longo das 2 horas e 16 minutos do filme.

Inteligente, nos apresenta ao GAVIÃO ARQUEIRO na sequência de abertura onde este é o único dos heróis em ação. A sábia decisão deu tempo de tela suficiente para conhecermos e nos acostumarmos com o personagem, e fez Clint Barton tão importante quanto qualquer outro. Um ponto que parecia preocupante antes da sessão começar era a função de um mero humano, por mais habilidoso e treinado que fosse, num grupo de super seres que travam uma batalha contra alienígenas. Ponto que foi muito bem colocado ao longo de toda ação, pois o personagem agiu de acordo com suas habilidades e condição física.

Verdade que também se aplica a VIÚVA NEGRA. Reintroduzida numa aparente desvantagem diante de seus captores ávidos por esclarecimentos de sua parte, numa manobra digna de uma grande espiã, era quem recebia as informações num interrogatório onde a vitima eram seus captores. Destaque para a cabelada destrutiva na sensualíssima luta onde suas pernas hábeis tornaram-se o Tendão de Aquiles de seus algozes.

O HOMEM DE FERRO é visto em sua melhor performance desde sua primeira aparição na tela gigante, seja na ação ou no sarcasmo. Está ai a citação a obra mor de Tolkien e as tentativas de fazer surgir o HULK que são certezas de riso. Isso sem falar no Homem Rena, um gracejo seu quanto aos chifres no elmo de Loki. Tiradas engraçadíssimas, mas nada que se equipare a batalha no parque, quando, diante de THOR, faz uso da linguagem Shakespeareana para tirar onda com o Deus do Trovão. Esse é, certamente, o momento mais icônico do humor na história do cinema. Toni Stark é, sem dúvida, a maior das personalidades. E 88% desse crédito vão direto para Robert Downey Jr e sua brilhante interpretação, a equipe de colaboradores tendo que se contentar os 12% restantes. Referências a parte, ninguém poderá viver um Tony Stark tão carismático depois dele. Ninguém!!!
Nas cenas de ação, dos espetaculares voos aos eficientes propulsores, lasers e um sem fim de armamentos que carrega consigo ao vestir seu mais famoso terno, o Ferroso se mostra mais seguro, hábil e disposto a agir como jamais se mostrou. O que me surpreendeu positivamente. Pois, mesmo nos filmes onde é o único protagonista, o personagem jamais foi utilizado em 100% de suas capacidades. Ao meu ver, o maior erro que habita os filmes do Latinha. Mesmo dividindo tela com cinco outros personagens, usou todas as suas habilidades e, pela primeira vez, foi o herói que eu sempre quis ver no HOMEM DE FERRO. Destaque para a surpresa que fará da maleta que escondia a Mark 5 em Homem de Ferro 2 (2010) algo a ser esquecido.

THOR, ao contrário do esperado, se comparado a quem era em sua primeira visita a Terra, mostra maturidade quanto a sua postura. Mas a montanha de músculos esconde um menino ingênuo, e essa ingenuidade, em alguns momentos, mostraram-se capazes de comprometer toda a equipe e levou a trama direto para seu momento mais trágico em todo o filme, quando, literalmente, abriu as portas para Loki cometer seu mais terrível, ao menos no sentido emocional, ato contra a equipe. Não fosse seu forte poder de destruição, seria presa fácil nas mãos de Loki. Pois sua esperança em reconhecer bondade no irmão adotivo é a maior arma que o vilão possui contra ele.

CAPITÃO AMÉRICA é o peixe fora d'água. Isolado do mundo, encontra na solidão uma forma de seguir em frente. Em meu entendimento, seu isolamento não tem como base o fato de ser um homem de outro tempo, mas por querer evitar a dor da perda - verdade que o acompanha desde que se viu desperto em outra realidade. Esse é o grande motivo que o leva a agir com reticência quanto a tudo e a todos. Mas um mundo de possibilidades se abre diante do personagem quando assume para si o comando da super equipe. Aqui, Steve se transforma numa cópia fiel do homem honrado, leal e heroico que é nos quadrinhos. Verdade que saltou aos olhos durante a sessão.
Em momento algum consegui ver Chris Evans em cena, mesmo quando a máscara pendia em suas costas. Fosse no olhar, na postura de sentar ou no agir, era como encarar os belíssimos quadros de Steve Epting. O que foi profundamente satisfatório. Pois o CAPITÃO, ao lado do HULK, figura entre os mais queridos personagens que dividiam espaço na tela. Como um dos poucos que acreditaram em Chris quando seu nome foi anunciado para viver o Bandeiroso, é satisfatório testemunhar seu comprometimento, vendo-o trazer às telas a essência do herói com tamanha perfeição. Outro ponto que soma a favor do herói é sua vestimenta, que, ao contrário do que as fotos promocionais diziam, funciona na tela tão bem quanto o dos tempos de guerra.

Esperado, o HULK representa a força avassaladora que pôe fim a qualquer ameaça iminente, surpreende e acaba por roubar a cena sempre que aparece na tela. Mark Ruffalo, embora tenha seguido por vias distintas as de Edward Norton para compor seu Bruce Banner, não comprometeu o personagem, mesmo com suas expressões sempre mostrando um leve sorriso. Trouxe novo fôlego a mitologia do gigante e, aparentemente, muito agradou a massa. Ainda assim, Norton continua sendo o Banner definitivo. Mas o HULK visto no longa revelou-se a melhor encarnação do personagem quanto a ação. E sua personalidade, pela primeira vez, é algo que soma a favor do monstro digital por avançar passos além da fúria incontrolável. Sendo capaz de alcançar diferentes pontos da dramatúrgia, fazendo cada uma de suas aparições proporcionarem diversas sensações, do medo e emoção, da tensão a vibração. Usando de ímpeto (característica que o torna muito humano) para deixar claro que o HULK é um herói de verdade, do tipo que se joga para salvar o companheiro de equipe se for preciso, mas não um sentimental. Claro que me refiro a repulsa do personagem quando, após seu momento mais heróico ao longo da jornada, rejeita o corpo que repousa sobre o seu ao atingir o solo. Destaque para sua reação diante do autoendeusamento de Loki, e sua última transformação, quando, num único soco, pôe fim a ameaça que deixou os outros VINGADORES tementes pela inexistência de seu amanhã.

Como equipe, o super elenco funciona perfeitamente. Mesmo com suas rachaduras! È, porque unir seis egos e surpreender-se com desavenças chega a ofender a inteligência de quem observa de fora. Mas é exatamente dessas desavenças que saem momentos memoráveis como a discussão entre Tony e Steve, o inesperado soco que coroa a rixa entre HULK e THOR, ou a o rugido que faz o HOMEM DE FERRO voltar a sí quando todos temiam o pior, entre muitos outros. O filme é inteligente, não em nível de profundidade, estamos falando de um filme de ação, mas quando analisado de forma fria, mesmo que no calor da emoção. Pois tudo faz sentido dentro do contexto, e toda ação, principalmente no clímax, onde tudo é gigantesco e ultrapassa a barreira do exagero, se mostra inteligível e está de acordo as motivações, capacidades e intento de cada personagem, sem oferecer nada gratuitamente.

Por fim, o filme é muito mais do que o esperado e vai agradar aos fãs mais exigentes, como levará muitos curiosos ao saudável hábito da leitura.

Leitores da HQ's.

Os responsáveis por nossa alegria!!!


O ano de 2008 foi definitivo para minha imersão no universo super heroístico em seu lar de origem. E falo com a clara certeza que represento tantos outros, pois a promessa de Nick Fury, na pele de Samuel L. Jackson, na inesperada sequência pós-crédito do respeitado HOMEM DE FERRO (2008), foi a maior das portas que se escancararam diante de todos os que desconheciam o universo MARVEL na banda desenhada. E, muito provavelmente, naquele primeiro fim de semana no agora distante maio de 2008, a empresa Google, certamente, percebeu um notável crescimento na busca por um resultado comum: Vingadores, Avangers ou seja lá como o título se traduz em outros polos. Tudo motivado pela maior e mais eficaz estratégia de marketing que o cinema mundial testemunhou desde os anos 2000, me arriscando em dizer - apenas por achismo como base - que foi a maior e mais eficaz da história do cinema mundial.

Hoje, leitor assíduo de quadrinhos, afirmo que o 27 de abril de 2012 foi esperado com ansiedade por muito tempo. Mas minha espera de quatro anos se torna singela ao considerar outras mentes pensantes que cresceram em companhia dos quadrinhos e, ao longo de décadas, anseiam apaixonados pela realidade presente. E tenho amigos que se enquadram nesse perfil!!! Dito isso, afirmo:

O filme foi feito para VOCÊS!!!


Essas mentes desprovidas de preconceito por terem crescido em companhia dos quadrinhos, lendo-os de acordo com suas possibilidades, ainda hoje e sem idade definida, muito provavelmente se permitem ao direito de curtirem agradáveis momentos de prazer relaxando em um confortável assento e imergindo em leituras de seus heróis amados, produzidos por seus escritores e desenhistas preferidos ( sim, os preferidos, pois a maturidade trás o refinamento que permite seguir a certeza da qualidade, adquirida pela experiência do hábito antigo, ao invés apontar vários alvos buscando o melhor do nicho), são os grandes responsáveis pela reunião da superequipe OS VINGADORES nas telas dos cinemas. E a cada um de vocês deixo meus sinceros agradecimentos. A explosão de euforia que me acometeu durante a sessão de cinema só foi possível por vocês fazerem de cada personagem que ocupou espaço na tela o que eles são.

MUITO OBRIGADO!!!

23 de abril de 2012

JUSTICEIRO: As Meninas do Vestido Branco

Comum, sangrenta e silenciosa.

Assim é As Meninas do Vestido Branco, que trás como protagonista o Justiceiro, numa trama que passa ligeira diante de nossos olhos, proporcionando a sensação de que nunca foi tão fácil ler o considerável número páginas visto na edição. Uma verdade que se torna absoluta pela escassez de diálogos, fazendo dos painéis de imagem o principal recurso narrativo para apresentar a história. Sem querer entrar em méritos ou deméritos, mas numa questão de gosto mesmo, há leitores que, como eu, prefiram diálogos intensos apenas por uma questão pessoal, de gosto mesmo, ou para levar a debates fora das páginas junto a amigos com quem divide a leitura. Como há também os adoradores da leitura muda, adeptos da ação e reação. E são esses os que irão ai delírio com o ousado (mas nem sempre compreensível) recurso narrativo, que o cinema mudo por muito tempo provou sua eficiência e fez valer a máxima onde se afirma que uma imagem vale mais que mil palavras. Pode até valer. Mas que algumas dezenas de palavras em alguns painéis mudos fariam a diferença e elevariam a trama, não se pode negar. Mas vale apontar que os diálogos, quando surpreendentemente encontrados, se faziam eficientes e clareavam parte da escuridão. . . que só encontra sua luz definitiva ao final, claro.

Na trama, Frank Castle é o mesmo homem marcado pelo trauma crônico que o consome em tortuosas lembranças sempre que se permite ao repouso necessário - momento em que, involuntariamente, a mente vaga por lugares que fogem de nosso controle selecionar. Quando isso fica claro para o leitor, torna-se fácil compreender que é por isso, e/ou para escapar disso, que Frank dedica a maior parte do seu tempo no combate direto às forças maiores que amedrontam o povoado da pequena cidade de Tierra Rota, situada no México, ofendendo sua dignidade por obrigar todos a sofrerem em silêncio a perda de suas meninas, citadas no subtitulo. E ai o personagem torna-se mais interessante. Pois ja não é certo se Frank sai em busca de sangue perverso para vingar a morte dos seus ou para ocupar a mente e livrar-se das lembranças que se fazem mais aterrorizante que a certeza da solidão aguda. Essa dicotomia que leva a dúvida de seu real motivo faz valer todo o tempo dedicado a leitura, mesmo quando a leitura se faz visual. E torna. . .

O JUSTICEIRO: As Meninas do vestido Branco, de GREGG HURWITZ e LAURENCE CAMPBELL:
UMA BOA LEITURA.

15 de abril de 2012

WATCHMEN

Magistral e indiscutivelmente humana. Humana e incrivelmente ficcional. Ficcional e assustadoramente real.

Falar de WATCHMEN é chover no molhado. Pois o choque de surpresas que a leitura causa é inevitável e, com isso, não há no mundo elogio que a história não tenha recebido, e, qualquer um que se atreva a falar sobre, corre o risco de ser repetitivo. Como, naturalmente, será. Pois WATCHMEN não é apenas uma história de super-heróis. É UMA HISTÓRIA DE SUPER-HERÓIS!!!

"Situado em uma América alternativa, no ano de 1985, onde super-heróis fantasiados são parte da teia que compõe a sociedade normal do dia-a-dia. Lá, o “Relógio do Juízo Final” – que mostra a tensão entre os Estados Unidos e a União Soviética – sempre está marcando cinco minutos para meia-noite. Quando um de seus companheiros é assassinado, o vigilante Rorschach descobre um plano para matar e desacreditar todos os heróis do passado e do presente. Assim que ele se reúne com sua antiga legião de combatentes do crime – um grupo de heróis aposentados, onde apenas um realmente tem superpoderes – Rorschach vê uma enorme e assustadora conspiração que interliga seu passado em conjunto e aponta para catastróficas consequências no futuro.

Sua missão é olhar por toda a humanidade… mas quem olhará pelos Watchmen?"

A premissa é poderosa, e, ao final do primeiro monólogo de Rorschach fica evidente que a trama a seguir não será algo fácil de digerir. O que as páginas seguintes apenas comprovam. É impossível absorver toda sua intenção numa única leitura!!! E isso é somente um dos fatores que tornam a obra fantástica. Por isso, lê-la por uma segunda ou terceira vez se faz necessário para melhor apreciação, e é justamente nesse momento, com um maior nível de conhecimento da trama, que evocam sentimentos mais aflorados que as surpresas do inédito, mesmo este estando aliado a tensão do não saber aonde diabos aquilo vai chegar. Mas tamanho sentimento só é possível devido a humanidade da trama reconhecida em seus personagens, sejam eles humanos ou não. E, quanto mais revivemos a era do vigilantismo, mais íntimos nos tornamos desses personagens, menos detalhes/intenções passam despercebidos aos nossos olhos e as riquezas plantadas nas entrelinhas dos textos que lhes dão vida ou ocultas nas imagens que lhes dão formas saltam páginas afora, ávidas por reconhecimento.

Mas o grande trunfo está na legitimidade de cada personagem que, de acordo com suas verdades, assumem, cada um, postura distintas sob um mesmo tema e, mesmo os que possuem a mesma crença, numa notável coesão humana, mostram argumentos opostos para chegar ao mesmo fim, fazendo de cada personagem um ser etéreo, marcante, vivo, mesmo que apenas em nossas mentes. Algo incomum em um universo onde o padrão e as leis do volume seguinte são predominantes. Algo assim não acontece todo dia, e, passado duas décadas e meia, pergunto: O que ficou depois de WATCHMEN?

Sim, coisas de profundo valor surgiram após o grande feito que foi esta obra de arte. Não, nada que se assemelhe ao delírio violento, arrebatador, que WATCHMEN causa a quem lê. Pois muitos detalhes se perdem em nossa memória com o tempo, mas a reflexão da primeira semana após o término da leitura, seja na primeira ou 12° vez que o alcança, jamais é esquecida.

WATCHMEN. de ALAN MOORE e DAVE GIBBONS:

LEITURA OBRIGATÓRIA!!!

6 de abril de 2012

Olhar


Eu tento te alcançar, vejo você fugir. Tentando me evitar mas seu olhar está em mim. Me olha sem eu perceber, se percebo você fecha o olhar. Diz a outros que me adora, mas na hora de dizer pra mim... você fecha o olhar.

Eu tento entender por que agir assim: fugir do meu amor se você gosta de mim. A sua timidez é o que faz você me evitar, e eu perder a coragem de dizer: meu grande amor, me devolva o olhar.

Doi saber que tenho você, mas não a posso ter ao meu lado sorrindo e confessando o seu amor.
É, queria eu confessar que o seu lindo jeito de andar me enfeitiçou. Mas você finge não me ver. Sem norte, o que vou dizer. Perco a fala quando estou com você.

(refrão)
O destino ninguém pode mudar. Só a dor irá te convencer.
Na solidão, sozinhos, vamos sangrar. Melhor é se entregar e, juntos, um sonho viver.
Eu acredito nesse seu olhar tão doce dizendo querer me amar.
Deitado em nuvens vou te convencer que não existe amor se não for Eu e Você.

3 de março de 2012

SORRISO MAROTO - 15 Anos

E o espetáculo se fez!

Primeiro de Março de 2012. Um dia especial para o Rio de Janeiro, e também para 5 rapazes que arrastam multidões aonde quer que se façam presentes. O primeiro completa 447 anos de pura beleza. Desses 447 anos, 15 apadrinham um fenômeno da cultura popular Brasileira que já provou por A mais B não ser uma modinha passageira, mas uma página de nossa história que veio para jamais ser esquecida. E essa página atende pelo título: SORRISO MAROTO!

O maior grupo de pagode da última década (foi classificado pela revista Bilboard americana como um dos 50 maiores artistas do mundo) completa 15 anos de uma história rica em qualidade e popularmente conhecida. Mas o presente foi direto para o seu público em uma belíssima apresentação ao ar livre que frutificará um DVD de inéditas, também revisitando momentos de suma importância na trajetória do grupo, nessa página que se destaca a cada dia. O melhor? O espetáculo veio com entrada franca em um ponto turístico do Rio de Janeiro: A Quinta da Boa Vista - Outrora o quintal da Família Real.

O Show, antes programado para 20 de Janeiro, a pedido da Prefeitura do Estado do Rio de Janeiro (que moral!), foi adiado para 1° de Março a fim de comemorar o aniversário do estado em grande estilo. O boca a boca se fez e mais de 80 mil pessoas tomaram o gramado da Quinta da Boa Vista,
e se entregaram sem medo, fazendo do Show um grande espetáculo ao erguer as mãos e entoar cada canção cantada pela marcante e inconfundível voz de Bruno Cardoso, um dos melhores intérpretes da atualidade, que se destaca não só por sua voz, mas por esbanjar carisma e graça, conquistando seu público em cada piscadela. Entre convidados especiais que abrilhantaram a noite com suas presenças, estavam Jamil e uma noites, Revelação, Trio ternura, MC Sapão, e Gustavo Lima. . . este último levou a multidão a um sufocante delírio.

O repertório de inéditas apresentado no espetáculo é repleto de candidatos a hits da próxima estação, e em cada hit acentua-se uma característica que vem ganhando força desde o álbum SINAIS: a luxúria subliminar em alguns versos que compõem as canções. Elaboradas com sutileza e elegância, tornam-se letras que se permitem serem cantadas por meninos e meninas, papais e mamães, vovôs e vovós, sem causar vermelhidão ou constrangimento por se desviarem de palavras que não se prendem às convenções sociais ou da moral.

Dividido entre inéditas e reinterpretações de sucessos, do Show, fica na memória o emocionante momento em que o Vocalista, entre as muitas trocas de roupa, entrego, adentrou o palco com a memorável blusa verde limão de mangas brancas que usou no primeiro DVD do grupo (Por Você - Ao Vivo), levando a multidão a um mesmo sentimento, expressos em gritos de saudade e euforia.

Como um todo, a apresentação foi de grande qualidade. E se fosse apontar uma falha, seria a insistência errônea de não incluir no repertório de reinterpretações a belíssima Eu Sou Desse Jeito, do álbum Sinais. Um pequeno erro, mas que não foi capaz de tirar o bilho do espetáculo. Brilho que permaneceu mesmo quando as luzes do palco se apagaram por longos minutos no momento indevido, levando os artistas a abandonarem o palco em busca de resposta e, num claro movimento de respeito com seu público, voltarem em seguida e, mesmo sem luz e com gravação interrompida, driblar a angustia do esperar com papo de camaradas, gracejos e boa música. Elevando a adrenalina do público e mostrando Porque o SORRISO MAROTO possui o status de Maior (e melhor) Grupo de Pagode da Última Década.

O Show chegou ao fim e é agora uma memória. Mas uma memória que difere de qualquer outra, por mais bela que seja. Pois essa memória compartilhada por tantos mil será compactada num disco de DVD, permitindo aos saudosos daquele inesquecível 1° de Março a chance de revivê-lo num simples "apertar o Play". O Show chegou ao fim, e, no fim, valeu a espera, valeu o calor, o esgoelar alheio e o furor. Pois o Espetáculo valeu apena!

E para todos os que foram, um último:

UUUOOOOOOOWWWWWW
UUUOOOOOOWWWWW
UUUOOOOOWWWW
UUUOOOOWWW
UUOOOWW
UOOW
UOW

Pois nós sabemos o significado que essa simples brincadeira nos representa.

OBRIGADO SORRISO!

21 de fevereiro de 2012

MOTOQUEIRO FANTASMA - Espirito de Vingança

O que esperar de um filme que ja não deu certo uma vez? Um filme que não agradou seu público, críticos em geral, e até mesmo o seu diretor. Sim, pois está ai a versão estendida de MOTOQUEIRO FANTASMA (2007) que não permite conjecturas quanto a afirmação. Se existe algo a esperar sobre a continuação de um longa metragem falido, este que vos escreve desconhece. E desconhece pelo simples fato de ter caminhado para a poltrona J13, saboreado uma deliciosa barra de chocolate com amendoim, acompanhado por uma bebida cremosa sabor chocolate, sem a menor das expectativas com relação a roteiro e personagens, querendo apenas o óbvio num filme do gênero: muita ação. Mas que acabou por encontrar alem da ação, fogo, fumaça e o visual muito mais intimidador da caveira flamejante, tudo o que pareciam serem vãs expectativas. Que não existiam, relembro.

Inspirador. Revolucionário. Grandioso. Não, o filme não é nada disso. Mas é popular, insano e cheio de irreverência, e na medida exata. Valendo ressaltar que Nicolas Cage, em sua melhor performance como Johnny Blaze, me adianto em dizer, é o tipo de ator que gosta de incluir gracejos (que nem sempre cumprem sua função) e um dia achou que um demônio viciado em balinhas coloridas seria genial. Num momento de remorso ou inspiração, acertadamente, as substitui por analgésicos, fazendo do protagonista um hipocondríaco sempre na ânsia do próximo comprimido.

Na segunda vez que encarna o portador do Espirito da Vingança, Nic Cage acerta em cada nuance e nos apresenta um herói sem afetações, engraçado e humanamente demoníaco quando preciso. Palavras escritas com a clara memória de Nic em seu melhor momento em todo o filme, na cena onde a insanidade de Blaze foi a mais de cem no interrogatório mais improvável na história do cinema. Parabéns, Nic Cage, você se superou!!!

Por fim, é notório que o segundo filme se aproveitou da memória do público e garantiu velocidade de narrativa ao iniciar a trama ja com Johnny Blaze como portador da, um tanto desejada, maldição. E mesmo que o filme conte uma outra versão para a origem do pacto, o vejo como continuação. Mas uma continuação que nada tem a ver com seu antecessor, pois é superior em cada seguimento e faz cair por terra a máxima de que pau que nasce torno nunca se endireita. Tudo graças aos compententíssimos Mark Neveldine e Brian Taylor (diretores), que, com seus inesperados ângulos de câmera, aliada a grande capacidade de construírem personagens carismáticos, transformaram o que um dia foi esquecível (o personagem) em um ponto digno de ser lembrado. E acabaram por elevar o primeiro longa, pois este tornou-se ponte direta para melhor apreciação de sua ótima segunda parte. Que é um arraso!

Em outras palavras: Neveldine e Taylor endireitaram o pau.

12 de fevereiro de 2012

CORINGA

É possível invadir a mente humana de tal forma que faça o invasor pensar conforme a mente invadida.

Não foi uma pergunta. Não foi uma pergunta, porque, enquanto leitor de CORINGA, escrito por Brian Azzarello, por vezes me surpreendi ao compreender o incompreensível. Ao ver razão onde não há resquícios dessa verdade. E estou certo que o que levou a essa certeza foi a oratória convincente que tornou o discurso, um tanto destrutivo, é verdade, tão embasado que permite a compreensão do que leva um ser humano a cometer atos de puro satanismo.

É inegável que o CORINGA visto nesta edição é a mais pura encarnação do mal, onde não há culpa, remorso ou temor. Havendo apenas a vontade de mostrar seu poder, não hesitando em agir como um trator diante de tudo o que se interpõem em seu caminho. Dono de um sarcasmo que só uma mente alimentada com cultura é capaz de apresentar, a inteligencia do homem de sorriso largo torna-se clara. O corpo não é forte, mas sua inteligência o leva a cercar-se de brinquedos dos mais variados tipos (incluindo humanos), e armas de fogo em uma trama despudorada, violenta e louca para ser refreada. Pois cada ato do vilão nos leva a espera do único que pode pará-lo.

O grande protagonista da trama é visto em primeira pessoa, mas o que nos permite invadir sua mente é a perspectiva de seu mais novo aliado. Que, temente ao poder do inimigo que torna-se cada vez mais íntimo, expõe suas certezas sobre a ameaça vigente numa cumplicidade de irmão com o leitor, que acaba por se tornar seu irmão mais velho ao acompanhá-lo por toda a história, sempre disposto a ouvir seus pensamentos, por mais contraditório que sejam, mas com a lamentável máxima de ser incapaz de lhe mostrar a luz com conselhos. Uma pena, pois se houvesse resposta em cada desabafo, seu destino, certamente, seria a redenção.

O universo do Homem Morcego é vasto, e Coringa transita em cada viela, por mais obscura que seja, deste universo, e se faz rei diante de cada pilar que lhe serve de alicerce. Por fim, é uma trama cheia de surpresas e com as características que tornam memoráveis qualquer trama de Azzarello, pois tudo tem um motivo e nada é por acaso.

CORINGA, de Brian Azzarello e Lee Barmejo:

Ótima Leitura!